Rivina humilis L. – Phytolaccaceae

Descrição

Nome popular: sangue-de-touro, coralito, baga-de-sangue, planta-rouge, baga-de-pombo.

Planta subarbustiva, multi-anual, com cerca de 1,0 a 1,2m. As folhas são ovadas ou oblongas, com cerca de 6 a 8 cm de comprimento. As flores são esverdeadas ou rosadas, dispostas em rácemos pendentes. Frutos de cor vermelha intensa, redondos, sucosos, com cerca de 0,4 cm de diâmetro.

É utilizada popularmente para o tratamento de resfriado, diarréia, anisuria, flatulência, gonorréia, dores ovarianas, icterícia (Nellis, 1987), tosse, febre e catarro. É considerada adstringente, bacteriostática, anti-fúngica (https://books.google.com.br).

Os frutos contém indicaxantina, dopaxantina, vulgaxantina, miraxantina, isobetanina, betanina,  humilixantaina, glutamina-betaxantina, ácido aspártico- betaxantina, tirosina-betaxantina  (Khan et al., 2012), rivianina ou rivinianina (3-sulfato de 5-O-β-D-glicopiranosídeo) (Ayres, 1994).

As principais betalaínas de Rivina humilis, betaxantina e betacianina (Tabelas 1 e 2) apresentam forte atividade anti-radicais e antioxidante, superior ao ácido ascórbico, ácido ferúlico e a maior parte das frutas consideradas antioxidantes. Por outro lado, a betaxantina apresenta ação citotóxica sobre linhas celulares do carcinoma hepático humano – HepG2 (Khan et al. 2012).

Tabela 1. Teor de betalaínas nos frutos maturos frescos de Rivina humilis.

Extrator Rendimento de extrato (%) Betacianinas (mg/100 g) Betaxantinas (mg/100 g) Total betalainas (mg/ 100 g)
Água Não analisado 151,1 203,6 354,7
Metanol 8,5 115,7 171,2 286,9
Metanol/água* (6/4) 12 149,8 147,8 297,6

* Acidificados com 50 mM ácido ascórbico.

Fonte: Khan et al., 2012

Tabela 2. Teor de betalaínas na matéria seca dos frutos maturos de Rivina humilis.

Extrator Rendimento de extrato (%) Betacianinas (mg/100 g) Betaxantinas (mg/100 g) Total betalainas (mg/ 100 g)
Água 41,8 0,15 1,54 1,7
Metanol 31,0 0,06 0,92 1,0
Metanol/água* (6/4) 65,8 0,098 1,60 1,7

* Acidificados com 50 mM ácido ascórbico.

Fonte: Khan et al., 2012

As folhas contêm carboidratos, flavonóides, alcalóides, quinonas, terpenóides, cumarinas, esteróides, taninos, saponinas glicosídeos cardíacos. O extrato metanólico das folhas apresenta forte ação anti-radicais livres (Fathima e Tilton, 2012).

O extrato da planta apresenta atividade do tipo hormonal-juvenil sobre o mosquito  Culex quinquefasciatus (Neraliya e Ratna, 2004).

O extrato metanólico das folhas apresenta atividade inseticida, ovicida e repelente sobre Tribolium castaneum, praga que ataca cereais armazenados (Elumalai et al., 2015a). Extratos da folha apresentam moderada atividade anti-amimentar para Spodoptera litura. No entanto, o extrato metanólico apresenta significativa ações anti-alimentar, ovicida, inibidora da oviposição e larvicidal (Elumai et al, 2015b).

Os extratos de diferentes partes da planta apresentam atividade anti-fúngica sobre Pseudomonas aeruginosa, especialmente o extrato clorofórmico dos frutos. Foi verificada também a ação anti-fúngica sobre Aspergillus oryzae e antioxidante (Ajaib et al., 2013).O extrato metanólico dos ramos apresenta ação antibacteriana sobre Klebsiella pneumoniae (Salvat et al., 2001). estratos da planta apresentaram uma boa ação anti-fúngica sobre Fusarium oxysporum f.sp. lycopersici (Rongai et al., 2015).

As toxoalbuminas existentes na folha e raízes podem afetar o sistema digestivo (Barnard, 1996).  A ingestão do fruto pode causar entorpecimento da boca num prazo de duas horas com uma sensação de calor na garganta e estômago. Seguem sintomas de tosse, sede, cansaço, bocejo freqüente, vômito e diarréia, as vezes com sangue (Nellis, 1997).

Quando o gado de leite consome os fruto pode ter o leite com alteração de cor. Khan et al. (2011) verificaram que os extratos dos frutos não demonstraram toxidez a ratos, sendo considerados seguros para a ingestão. Os pássaros apreciam muito os frutos.

Os frutos produzem um corante vermelho o qual é utilizado para tingir algodão, lã, tecidos, lábios e faces e uso cosmético m geral.

A planta pode ser utilizada como ornamental.

Literatura citada

AJAIB, M.; ZIKREA, A.; KHAN, K.M.; PERVEEN, S.; SHAH, S.; KARIM, A. “Rivina humilis L: A Potential Antimicrobial and Antioxidant Source.” Journal of the Chemical Society of Pakistan, v.35, n.5, p.1384-1398, 2013.

AYRES, D.C. ed. Dictionary of Natural Products 7. bOCA tATÓN: CRC Press, 1994. p. 645.

BARNARD, S. M. Reptile Keeper’s Handbook. Malabar: Krieger Publishing Company, Krieger Drive, 1996. p.167-184.

ELUMALAI, A., BACKIYARAJ, M.; KASINATHAN, D.; MATHIVANAN, T.; KRISHNAPPA, K.; ELUMALAI, K. Pesticidal activity of Rivina humilis L. (Phytolaccaceae) against important agricultural polyphagous field pest, Spodoptera litura (Fab.) (Lepidoptera: Noctuidae). Journal of Coastal Life Medicine, v.3, n.5, p.389-394, 2015b.

ELUMALAI, A., KRISHNAPPA, K., KALAICHELVI, N.; ELUMALAI, K. Insecticidal, ovicidal and repellent activities of different solvent extracts of Rivina humilis Linn. (Phytolaccaceae) against the selected stored grain pest, Tribolium castaneum Herbs. (Coleoptera : Tenebrionidae) International Journal of Advanced Research in Biological Sciences, v.2, n.10, p.161-169, 2015a.

FATHIMA, M.; TILTON, F. Phytochemical analysis and antioxidant activity of leaf extracts of Rivina humilis L. International Journal of Current Research, v.4, n.11, p.326-330, 2012.

KHAN, M.I.; JOSEPH, K.M.D.; MURALIDHARA, RAMESH, H.P.; GIRIDHAR, P.; RAVISHANKAR, G.A. Acute, subacute and subchronic safety assessment of betalains rich Rivina humilis L. berry juice in rats. Food and Chemical Toxicology, v.49, n.12, p.3154-3157, 2011.

KHAN, M.I.; Sri HARSHA, P.S.C.; GIRIDHAR, P.; RAVISHANKAR, G.A. Pigment identification, nutritional composition, bioactivity, and in vitro cancer cell cytotoxicity of  Rivina humilis L. berries, potential source of betalains. LWT – Food Science and Technology, v.47, n.2, p.315-323, 2012.

NELLIS, D.W. Poisonous Plants and Animals of Florida and the Caribbean. Florida: Pineapple Press, 1987. 315 pp.

NELLIS, D.W. Poisonous Plants and Animals of Florida and the Caribbean. Sarasota: Pineapple Press, 1997. 315p.

NERALIYA S, GAUR, R. Juvenoid activity in plant extracts against filarial mosquito Culex quinquefasciatus. Journal of Medicinal and Aromatic Plant Sciences, v.26, n.1, p.34-38, 2004.

RONGAI, D.; PULCINI, P.; PESCE; B.; MILANO, F. Antifungal activity of some botanical extracts on Fusarium oxysporum. Open Life Science, v.10, n.1, p.409-416, 2015.

SALVAT, A.; ANTONNACCI, L.; FORTUNATO, R.H.; SUAREZ, E.Y.; GODOY, H.M. Screening of some plants from Northern Argentina for their antimicrobial activity. Letters in Applied Microbiology, v.32, n.5, p.293-297, 2001.

STRACK, D.; SCHMITT, D.; REZNIK, H.; BOLAND, W.; GROTJAHN, L.; HUMILIXANTHIN, V.W. A new betaxanthin from Rivina humilis. Phytochemistry, v.26, n.8, p.2285-2287, 1987.

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